Urbanização adequada pode reduzir pobreza na América Latina e Caribe, diz ONU

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Estudo do Banco Mundial aponta que mais de 70% dos pobres urbanos vivem em cidades médias e muito pequenas e apenas 9% em metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo.

A dona de casa Georgia Santos (centro) e sua família em Salvador, Bahia. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

A dona de casa Georgia Santos (centro) e sua família em Salvador, Bahia. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Segundo o Relatório Mundial de Acompanhamento 2013 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) sobre a América Latina e Caribe, a urbanização é um estímulo importante para retirar os cidadãos da pobreza e promover o desenvolvimento. O documento avalia o progresso dos países da região no alcance dos ODM.

Levando em conta que mais de 80% dos bens e serviços mundiais são produzidos nas cidades, os países com elevados níveis de urbanização, desde a China até os da América Latina, desempenharam um papel essencial na redução da pobreza. No entanto, o relatório adverte que, se a urbanização não for administrada de modo adequado, também poderá gerar um crescimento descontrolado de favelas, doenças e delinquência.

Sobre o Brasil, uma das economias em desenvolvimento mais urbanizadas, o estudo diz que apenas 22% da população vive nas grandes cidades, enquanto 64% estão em cidades médias e pequenas. Mais de 70% dos pobres urbanos vivem em cidades médias e muito pequenas e apenas 9% em metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo.

As áreas urbanas oferecem empregos mais bem remunerados e serviços básicos. Por esta razão, os pobres rurais estão dispostos a migrar e pagar para ter acesso a serviços essenciais. No Brasil, os trabalhadores rurais, cujo salário mínimo é de cerca de sete reais por hora, estavam dispostos a migrar e pagar 420 reais por ano para acesso a melhores serviços de saúde, 87 reais por água limpa e 42 reais por eletricidade.

Progressos e atrasos no cumprimento dos ODM na região

Segundo o estudo, no nível regional, a América Latina mostrou um notável desempenho nos nove ODM. Mesmo assim, como em outras regiões, o continente também está bastante defasado quanto às metas relacionadas à saúde materna e ao acesso a saneamento.

Embora neste último ano 32 milhões de pessoas ainda continuem a viver com menos de 1,25 dólar ao dia, a região conseguiu reduzir de 12% (em 1990) para 6% (em 2010) a proporção de cidadãos em extrema pobreza. Além disso, 72 milhões de habitantes deixaram de ser pobres e 50 milhões ingressaram na classe média.

Segundo o relatório, nenhum país alcançou a meta relacionada à saúde materna e apenas o Peru conseguiu atingir o objetivo estabelecido para a mortalidade infantil. Somente 14 nações têm hoje o nível proposto de abastecimento de água potável e 10 de acesso a saneamento. Isso se dá pelo limitado avanço apresentado nos últimos anos. O balanço de um conjunto de 30 países mostra que apenas 18 conseguiram a paridade de gênero no ensino primário, conclui o Banco Mundial.

Para ler o relatório (em espanhol), clique aqui.


Comente

comentários