Especial ONU Brasil

Entenda a crise

O conflito na Síria continua causando sofrimento humano e destruição imensuráveis. Estima-se que mais de 100 mil pessoas foram mortas desde março de 2011, quando começou o levante contra o presidente Bashar al-Assad.

Calcula-se que 9,3 milhões de pessoas necessitem de assistência humanitária urgente – incluindo 3,1 milhões de crianças. Desse total, 6,5 milhões são deslocados internos. Há mais de 2,3 milhões de refugiados sírios nos países vizinhos e Norte da África.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) estima que 400 mil palestinos refugiados na Síria (80%) precisem de assistência urgente. Cerca de 180 mil deles tiveram que fugir de Damasco por causa dos bombardeios e confrontos nos arredores.

O denso deslocamento populacional e a higiene precária aumentam o risco de piolhos, sarna, leishmaniose, hepatite A e outras doenças infecciosas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora a situação e oferece tratamento em diversas áreas do país.

A maior parte dos hospitais públicos foram danificados ou destruídos. Muitos profissionais de saúde estão fugindo do país e os que permanecem têm muita dificuldade para chegar aos postos de trabalho por causa da insegurança.

Muitos hospitais não têm remédios essenciais, como insulina e antibióticos, além de banco de sangue. Diversas operações são feitas sem anestesia ou fios de sutura.

A OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) têm trabalhado em campanhas de prevenção e no suporte ao tratamento de inúmeras doenças, dentre elas, sarampo, caxumba, rubéola, pólio e febre tifoide. Também atuam na distribuição de hipoclorito de sódio para purificar a água.

O apuro das pessoas atingidas pela violência é ampliado pela falta de comida, água, combustível e o inverno rigoroso. Há cortes prolongados de luz em diversas áreas do país. A insegurança está impedindo o acesso de muitas pessoas a serviços e produtos de necessidade básica.

As agências da ONU estão reforçando abrigos e distribuindo itens de inverno para centenas de milhares de pessoas.

Três quartos das crianças estão traumatizadas pela guerra

Uma pesquisa conduzida por Turquia, Estados Unidos e Noruega mostra que três quartos das cerca de 8,4 mil crianças sírias – a maioria entre 10 e 13 anos – refugiadas no campo de Gaziantep Islahiye, na Turquia, perderam ao menos um parente no conflito.

O estudo revela que a maioria delas apresenta sinais de estresse e trauma e 44% presenciaram ao menos cinco de 11 eventos adversos associados com guerra e desastres. Metade das crianças sofre depressão e muitas estão preocupadas com familiares que permanecem no país.

O UNICEF está provendo atividades educativas e apoio psicológico para milhares de meninos e meninas. O Fundo também doou ao Ministério da Educação materiais escolares, kits de recreação e musicais.

A violência tirou muitas crianças das salas de aula, especialmente meninas. Nos locais onde as escolas tentam manter suas atividades, a frequência é bastante reduzida.

Ajuda alimentar para 3,3 milhões de pessoas

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), com apoio de parceiros, já alcança 3,3 milhões de pessoas. Como muitas localidades são de difícil acesso, parte da distribuição é feita via aérea, com autorização da Síria e do Iraque para transportar os mantimentos de um país para outro.

Mulher recebe suprimentos do Programa Mundial de Alimentos em Damasco, capital da Síria. (Foto: ONU/Abeer Etefa)

Os pacotes de comida contêm arroz, trigo fino, macarrão, leguminosas secas e enlatadas, óleo, extrato de tomate, sal e açúcar para um mês. Com uma grave escassez de pão no país, o PMA também distribui mensalmente 5kg de farinha de trigo por pessoa.

Apelo é por 6,5 bilhões de dólares para 2014

Prevendo uma piora na situação dentro do país e um contínuo fluxo de refugiados sírios em 2014, agências da ONU fizeram um apelo aos doadores de 6,5 bilhões de dólares – o maior feito até hoje para uma única operação de emergência humanitária. A avaliação é de que quase 75% da população precisará de ajuda humanitária.

Em 2013, o apelo foi de 4,4 bilhões de dólares e já era considerado um recorde. O plano de resposta humanitária para a Síria pediu 1,4 bilhão de dólares para cobrir 61 projetos em dez setores, recebendo 71% do total. Já o plano de resposta regional para refugiados rebeu 67% dos 3 bilhões de dólares solicitados para apoiar 3,5 milhões de sírios e 1,9 milhão de cidadãos do Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia.

Em 2012, apenas 55% da ajuda solicitada para a resposta humanitária foi financiada, totalizando uma arrecadação de 191 milhões de dólares, quando o necessário era 348 milhões.

Missão de observadores e escritório de contato da ONU

Com a persistência do combate na Síria, as condições para dar continuidade à Missão da ONU de Supervisão na Síria (UNSMIS) no país não foram satisfeitas, anunciou em agosto de 2012 o subsecretário-geral de Operações de Paz, Edmund Mulet. Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, no entanto, concordaram naquele mesmo mês com a criação de um escritório de contato para apoiar os esforços de uma solução política para o conflito e o respeito dos direitos humanos.

Veículo da ONU foi danificado por uma multidão enfurecida em El-Haffeh, Síria, ao tentar acessar a cidade (ONU/ David Manyua)

Inicialmente criada em abril de 2012 para durar 90 dias – por meio da resolução 2043 –, o mandato da UNSMIS foi prorrogado por mais 30 dias no fim de julho, quando o Conselho aprovou a resolução 2059.

A resolução também indicou que uma renovação posterior a esse prazo só seria possível se fosse confirmado que o uso de armas pesadas houvesse cessado e uma redução da violência por todos os lados era necessário para permitir à Missão implementar o seu mandato, o que não ocorreu.

Conselho de Segurança da ONU pede fim das armas químicas e missão é enviada ao país

Uma missão da ONU confirmou o uso de gás sarin num ataque químico que matou centenas de pessoas em agosto de 2013. No mês seguinte, o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu a rápida eliminação das armas químicas do país por meio da resolução 2118.

Cerca de 100 especialistas em armas químicas foram alocados no país por meio de uma missão conjunta da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) com as Nações Unidas para supervisionar a destruição dos arsenais da Síria, que deve ser concluída até junho de 2014.

A destruição funcional de instalações e armamentos foi confirmada no começo de dezembro de. Os especialistas buscam agora parceiros comerciais adequados para transportar os agentes químicos até um navio dos Estados Unidos, onde devem ser destruídos em alto mar por meio de hidrólise.

Representante Especial tenta saída negociada pacífica para a crise

Em fevereiro de 2012, o ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan (na foto abaixo, à esquerda) foi anunciado como o enviado especial da Missão Conjunta da Liga Árabe e da ONU para a Síria. Annan, que havia ocupado o cargo máximo da Organização entre 1997 e 2006, se tornou à época alto representante da ONU e da Liga Árabe para resolver a crise e será apoiado por um vice-representante. “O enviado especial proporcionará bons ofícios destinados a pôr fim a toda a violência e violações dos direitos humanos, e promover uma solução pacífica para a crise da Síria”, afirmou o comunicado conjunto no dia 23.

Kofi Annan, Ban Ki-moon e Lakhdar Brahimi (UN Photo/Devra Berkowitz)

No dia 2 de agosto do mesmo ano, no entanto, Annan renunciou ao cargo após tentativas frustradas de aplicar o chamado Plano de Seis Pontos, que pede o fim da violência, o acesso de agências humanitárias para o fornecimento de apoio à população civil, a libertação dos detidos, o início de um diálogo político inclusivo e livre acesso ao país para a mídia internacional.

Em seu lugar, as duas organizações apontaram no dia 17 de agosto de 2012 o diplomata veterano argelino Lakhdar Brahimi (à direita) como novo facilitador da paz na região. Brahimi deve assumiu a função no dia 31 de agosto, quando terminou o mandato de Annan, e desde então tem feito esforços constantes para uma saída negociada pacífica para a crise.

Conferência de paz busca solução política para a crise

Estão avançando os preparativos para a chamada “Genebra II”, conferência que deve ser realizada em janeiro na cidade suíça. O encontro – que terá participação do Brasil e outras dezenas de países – vai colocar, pela primeira vez desde o início do conflito em março 2011, o governo sírio e a oposição numa mesa de negociação.

O objetivo é alcançar uma solução política para o conflito por meio de um acordo global entre o governo sírio e a oposição para a plena implementação do comunicado de Genebra, adotado após a primeira reunião internacional sobre a questão em 30 de junho de 2012, que previa a criação de um governo de transição que levaria à realização de eleições no país.

Como ajudar

Você pode fazer doações para duas das diversas agências que estão atuando no país: o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) — clique aqui para acessar — ou para o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU — clique aqui para acessar.

O UNICEF Brasil também lançou uma campanha de ajuda emergencial às crianças da Síria. Saiba mais clicando aqui ou abaixo:

Como ajudar as crianças na Síria