Rio+20 - Os temas em debate

CidadesCerca de metade da humanidade vive hoje em cidades. Populações urbanas cresceram de cerca de 750 milhões em 1950 para 3,6 bilhões em 2011. Até 2030, quase 60% da população mundial viverá em áreas urbanas.

O crescimento das cidades significa que elas serão responsáveis por prestar serviços a um número sem precedentes de pessoas. Isso inclui educação e habitação acessíveis, água potável e comida, ar limpo, um ambiente livre do crime e transporte eficiente.

Baixe este texto em PDFNas próximas décadas, 95% do crescimento da população urbana mundial ocorrerá em países em desenvolvimento. Espera-se que a população urbana da África cresça de 414 milhões para mais de 1,2 bilhão até 2050, enquanto a Ásia vai crescer de 1,9 bilhão para 3,3 bilhões. Essas regiões juntas vão contabilizar 86% do crescimento total da população urbana mundial.

A tendência em relação à urbanização tem enormes implicações nos esforços para reduzir a pobreza, gerir recursos naturais, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas. Enquanto cidades ocupam 2% da massa de terra no mundo, elas produzem até 70% da emissão de dióxido de carbono.

No entanto, cidades também podem ter a chave para as soluções para muito dos desafios mundiais. Elas estão numa posição única para liderar o esverdeamento da economia global ao melhorar a eficiência do uso da energia para transporte e construção, assim como para água e sistemas de resíduos.

Existem casos de sucesso até o momento. A qualidade do ar melhorou em muitas cidades. Os esforços internacionais para eliminar chumbo da gasolina tiveram grande sucesso. Transporte público recebeu forte apoio de instituições financeiras internacionais. Energia doméstica limpa, incluindo energia solar e eólica, tornaram-se mais disponíveis a preços cada vez mais competitivos.

Muitos desafios existem para administrar cidades de forma que continue a criar empregos e prosperidade sem comprometer o meio ambiente e os recursos. Desafios urbanos comuns incluem congestionamento, infraestrutura declinante, falta de fundos para serviços básicos e escassez de habitação adequada.

A ONU-HABITAT alerta que cerca de dois terços da população urbana mundial vivem em condições de favela e, se a população continuar a crescer, até 2020 cerca de 1,03 bilhão de pessoas viverão em favelas.

Atualmente, 40% do uso global de energia está em construção e o setor de construção é o maior contribuinte da emissão global de gases-estufa. Construções existentes representam significativas oportunidades de economizar energia porque seu nível de performance é frequentemente muito abaixo dos atuais potenciais de eficiência. Em países em desenvolvimento, as novas construções verdes produzem enormes oportunidades. O investimento em construção de eficiência energética é acompanhado por significativas economias diretas e indiretas, que ajudam a compensar os custos adicionais, proporcionando um rápido retorno sobre o investimento.

De forma geral, transporte é responsável por 13% da emissão global de gases-estufa. Países industrializados são atualmente os principais colaboradores para a emissão geral de gases-estufa, mas 80% do aumento projetado até 2030 está relacionado ao transporte rodoviário em países em desenvolvimento, principalmente aqueles com economias emergentes. Sistemas de transporte eficientes e efetivos são importantes para o acesso a mercados, empregos, educação e serviços básicos para reduzir a pobreza. Os atuais padrões de desenvolvimento de transporte não são sustentáveis e podem agravar problemas ambientais e de saúde.

Os moradores de cidades usam 75% dos recursos naturais do planeta. Ecossistemas saudáveis e a diversidade biológica são vitais para as cidades funcionarem adequadamente. Biodiversidade e ecossistemas funcionais dão resiliência à biosfera, mas como a biodiversidade é degradada, comunidades tornam-se mais vulneráveis. A biodiversidade degradada pode ter efeitos imprevistos na saúde e no bem-estar das cidades e seus residentes. Em Nairóbi, Quênia, por exemplo, a demanda de carvão ameaça a floresta Aberdares, que desempenha um papel importante no sistema de purificação de água da cidade. Desmatamento e destruição de ecossistemas de rios e costas frequentemente contribuem mais para que ocorram enchentes urbanas.

Fatos-chave

828 milhões de pessoas vivem em favelas hoje e número continua a crescer.

Os maiores aumentos populacionais urbanos de 2010 a 2050 são esperados na Índia, China, Nigéria, Estados Unidos e Indonésia. Índia terá um adicional de 497 milhões à sua população urbana; China – 341 milhões; Nigéria – 200 milhões; Estados Unidos – 103 milhões; e Indonésia – 92 milhões.

60% da população urbana mundial está localizada em regiões expostas a pelo menos um tipo de risco de desastre natural. Cidades na América Latina e no Caribe, na América do Norte e especialmente na Ásia são normalmente localizados em regiões expostas a perigos naturais.

Coletivamente, o setor da construção é responsável por cerca de 40% do uso dos recursos globais, incluindo 12% do uso de água doce, e produz mais de 40% de resíduos sólidos.

O que funciona

Localizado no subúrbio de Mumbai, Índia, o lixão de Gorai foi um dos locais mais poluídos na cidade por 72 anos. Isso causou vários problemas, desde perigos para a saúde até a perda da vida marinha. O projeto Mecanismo de Desenvolvimento Limpo transformou o lixão em uma bela extensão verde e tem um impacto positivo na vida da área.

Na Bulgária, muitas cidades estão cheias de casas deterioradas que consomem muita energia. Mas uma nova iniciativa está ajudando a reformar prédios para torná-los mais eficientes quanto ao uso de energia e diminuir a pegada de carbono em áreas urbanas.

Em São Salvador, “Recuperação do Propósito Habitacional do Centro Histórico”, um projeto colaborativo, envolvendo residentes de baixa renda, ajudou a reformar o distrito histórico da capital de El Salvador. Uma rede social tem sucesso gerindo melhorias contínuas.

Em Mathere, uma grande favela de Nairóbi, Quênia, um grupo de jovens construiu um centro comunitário que abriga uma instalação de gestão de resíduos e reciclagem de plástico, promove noites de futebol e oferece aconselhamento, tutoria e apoio social aos órfãos e crianças vulneráveis.

Propostas para a Rio+20

Integrar o desenvolvimento urbano sustentável como um componente-chave para as políticas nacionais.

Empoderar autoridades locais para trabalharem mais estreitamente com governos nacionais;

Promover uma abordagem integrada para planejar e construir cidades sustentáveis por meio de redes eficientes de transporte e comunicação; prédios mais verdes; assentamentos humanos eficientes e sistemas de prestação de serviços; melhora da qualidade do ar e da água; preparação e resposta a desastres e maior resiliência climática.

Buscar o desenvolvimento e a expansão urbana ambientalmente saudável e a utilização da terra.

Promover e implementar a reciclagem e a reutilização do lixo.

Milhares de prefeitos e autoridades locais são esperadas para anunciar compromissos e apresentar soluções práticas para os desafios urbanos no Global Town Hall (Encontro Mundial de Prefeitos), a cúpula sobre clima C40 e outros eventos no Rio.

Produzido pelo Departamento de Informação Pública das Nações Unidas, junho de 2012.

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Comentários
Comentário de Alcione Fernandes de Almeida - 13/06/2012 at 9:02

Os investimentos tem que ser especialmente no homem sem conscientizacao individual, o trabalho sera inocuo a responsabilidade e de todos nos nao exclusivamente de um unico grupo.

Comentário de Osvaldo Nascimento - 13/06/2012 at 12:47

Realmente. . . Nós brasileiros, temos que nos conscientizarmos das responsabilidades que se nos apresentam. . . Se fossemos fazer relato do tão quanto são os problemas no Brasil, teríamos que dispor de tanto tempo, que não seria suportado por estas páginas… Não obstante, fica o alerta para os que não se compenetraram que os problema são sérios.

Comentário de franklin castelo - 13/06/2012 at 15:10

estou junto quero participa !!!

Comentário de Antonio Carlos - 25/06/2012 at 11:20

me parece que para as cidades é necessário dá um sentido pratico de organização no momento de governar, ou seja, realizar projetos com “standard” urbaniscos e, nestes priorizar o que será realizado. Daí será possivel ter resultados. Então, para climas em cidades mais quentes construções de casas adaptadas com isenção de IPTU, como exemplo. E, assim por diante…