Rio+20 - Os temas em debate

A boa notícia é que o mundo alcançou o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que têm como meta reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso a água potável no fim de 2010, bem antes do prazo de 2015 dos ODM. Entre 1990 e 2010, mais de dois bilhões de pessoas obtiveram acesso a fontes de água potável, tais como abastecimento por tubulações e poços protegidos.

Baixe este texto em PDFEmbora 89% da população mundial utilize fontes tratadas de água, 783 milhões de pessoas ainda estão sem acesso à água potável, com variações dramáticas por região. Apenas 61% das pessoas na África Subsaariana têm acesso a fontes de abastecimento de água tratada, em comparação com 90% ou mais na América Latina e Caribe, Norte da África e grande parte da Ásia.

Além disso, progressos rumo à meta dos ODM de água potável é baseado no acesso a fontes tratadas de água potável e não é possível medir mundialmente a qualidade da água. Trabalhos significativos devem ser feitos para garantir que as fontes tratadas de água sejam e permaneçam seguras.

O mundo está muito longe de atingir a meta acordada para o saneamento: 2,5 bilhões de pessoas ainda não têm saneamento básico, tais como banheiros ou latrinas. Cerca de 1,5 milhão de crianças morrem a cada ano – cinco mil por dia – de doenças diarreicas, em grande parte evitáveis por meio de saneamento adequado e melhor higiene. Sete em cada dez pessoas sem saneamento básico vivem em áreas rurais.

Desde 1992, 80% dos países iniciaram reformas para melhorar o ambiente propício para a gestão dos recursos hídricos. Em muitos casos, as reformas hídricas têm produzido impactos significativos sobre o desenvolvimento, incluindo melhorias de acesso à água potável, saúde e eficiência hídrica na agricultura.

A água doce é também um fator essencial para a agricultura e a produção de energia e uma falta de água suficiente para satisfazer todas as necessidades tem enormes implicações para o desenvolvimento – para empregos, saúde e segurança alimentar. Atualmente, 80% da população mundial vive em áreas com altos níveis de ameaça à segurança da água. As ameaças mais graves afetam 3,4 bilhões de pessoas, quase todas nos países em desenvolvimento.

A agricultura responde por quase 70% da retirada dos recursos hídricos globais. A eficiência de irrigação – “mais colheitas por gota” – e a reutilização da água pode ser aumentada em cerca de um terço com a tecnologia existente.

Entretanto, por causa do ao aumento da demanda, há menos água. Apenas um gotejamento atinge os deltas de grandes rios, como o Nilo e o Colorado. Há preocupações que o limite sustentável dos recursos de água – em ambas, superfície e subterrânea – foi alcançado ou ultrapassado em muitas regiões. O estresse relacionado à água em pessoas e ecossistemas está aumentando rapidamente. A retira global de água de aquíferos e bacias hidrográficas triplicou nos últimos 50 anos.

Questões de água e saneamento têm importantes implicações de gênero. Em países em desenvolvimento, mulheres são normalmente responsáveis pela gestão da água. Elas educam seus filhos para usos seguros e saneamento e higiene adequados. Na maioria das áreas rurais, mulheres e meninas caminham longas distâncias para ter acesso a água em locais remotos. Em média, elas caminha seis quilômetros todos os dias, carregando até 20 quilos. Mulheres e meninas também tendem a sofrer mais com a ausência de infraestrutura. Questões de privacidade, especialmente durante a menstruação, normalmente acarretam em uma queda na frequência de meninas na escola.

Fatos-chave

Apenas 63% das pessoas no mundo agora têm acesso a saneamento básico, um quadro projetado para aumentar para 67% até 2015, bem abaixo dos 75% estabelecidos pelo Objetivo de Desenvolvimento do Milênio. – A cobertura do saneamento é mais baixa na África Subsaariana e no Sul da Ásia, onde 70% e 59% das pessoas não tem acesso respectivamente a saneamento básico.

80% de doenças em países em desenvolvimento são causados por água não potável e saneamento precário, incluindo instalações de saneamento inadequadas.

Mais de 80% da água residual não é coletada ou tratada.

Hoje, 1,6 bilhão de pessoas vivem em região com escassez absoluta de água. Até 2025, dois terços da população mundial pode ser afetada pelas condições críticas da água.

828 milhões de pessoas vivem em condições de favela, faltando serviços básicos como água potável e saneamento. Esse número aumenta até 6% a cada ano e vai atingir um total de 889 milhões até 2020.

Desastres relacionados com água contabilizam 90% dos riscos naturais e sua frequência e intensidade estão gradualmente crescendo.

O que funciona

Em 28 de Julho de 2010, a Assembleia Geral da ONU reconheceu explicitamente o direito humano a água e saneamento; e que água potável e saneamento são essenciais para a realização de todos os direitos humanos.

A República Democrática do Congo (RDC) enfrentou uma epidemia mortal de cólera com mais de 22 mil casos e mais de 500 mortes desde março de 2012. Mais de 3.270 vilarejos aderiram a um programa nacional apoiado pelo UNICEF para ajudar os vilarejos a evitar doenças transmitidas por água e saneamento.

No Quênia, o ONU-HABITAT e Malta abriram um novo abastecimento de água e estação de tratamento para oferecer água limpa e potável acessível para cerca de quatro mil pessoas vivendo em um assentamento em Huruma. A instalação oferece mais de três mil litros livros de água potável por hora, manufaturada localmente.

Em Angola, um projeto da União Europeia e do UNICEF que leva água encanada para dois mil domicílios reduziu as taxas de diarreia e cólera para quase zero. Posse comunitária é um fator importante para a sustentabilidade do projeto.

Na Austrália, um mercado em expansão para a negociação dos direitos do uso da água – 90% na Bacia Darling Murray – permite que a escassez de água seja alocada ineficientemente e garante a sustentabilidade ambiental.

Propostas para a Rio+20

Propostas destacam a importância crítica de recursos hídricos para o desenvolvimento sustentável e sugere que os objetivos sejam definidos para a gestão de águas residuais, incluindo redução da poluição de fontes domésticas, industriais e agrícolas. Outra proposta é a promoção de eficiência d’água, tratamento de resíduos d’ água e o uso de resíduos d’água como fonte, particularmente em áreas de expansão urbana. Metas de água, como o acesso universal à água limpa e potável, podem ser consideradas para a inclusão nos propostos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Produzido pelo Departamento de Informação Pública das Nações Unidas, junho de 2012.

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Comentários
Comentário de Maria Cristina Filgueiras - 11/06/2012 at 22:17

Tenho certeza que este evento vai envolver o povo braisleiro. É fundamental e urgente a mobilização da nossa Nação para o racional água (acabar de vez com a cultura do des perdício) . Precisamos de políticas claras e objetivas na gestão dos recursos hídricos. Acredito na criatividade e no poder de superação do nosso País. É uma honra para nós brasileiros discurtimos temas tão fundamentais para a sobrevivência do nosso Planeta. Parabéns a todos organizaodres

Comentário de WELLINGTON GENUINO DOURADO - 12/06/2012 at 2:32

CYBERATIVISTA. O USO DA TECNOLOGIA PARA O PLENO EXERCÍCIO DA CIDADANIA (www.projetoaqua.com)

Comentário de VERA - 12/06/2012 at 10:17

Lamentavelmente, “A ÁGUA” , o líquido mais precioso do PLANETA não é tão levado a sério, quando contamos uma quantidade razoável de RIOS poluídos e muita gente exagera seu consumo, desperdiçando água que mataria a sede de quem não a tem.

Comentário de abgail toledo - 12/06/2012 at 17:20

ÀGUA E SANEAMENTO BÀSICO PARA CIDADES DE PEQUENO PORTE<ONDE PESSOAS SIMPLES VIVEM HUMILDEMENTE; COM CONDIÇÂO INSUSTENTÁVEL.

Comentário de Alexandre Miguel Rodrigues - 15/06/2012 at 21:47

Tanto se gasta em preservar, recuperar, porque não abrir mão do investimento e se falar em prevenir? mudar o que esta errado. . . Concertar.
http://www.youtube.com/watch?v=gP7ea0MdYYw&feature=g-upl

Comentário de Emilio Silva Damacena - 16/06/2012 at 1:04

Como estaremos daqui a alguns anos a frente se as prefeituras municipais estão atraindo investidores na area imobiliaria e construindo condominios sem nem uma estrutura de saneamento para o tratamento de seo esgoto simplismente fabricando FOÇAS onde o CHORUME jerado pelas fezes entram solio a dentro ate atinjir o lensol fretico esta serto isto

Comentário de ROGERIO TUCCI - 16/06/2012 at 19:21

O desperdício de água em novos condomínios é enorme, pois nos obrigam a comprar aquecedores à gas, e, a cada banho que tomamos desperdiça-se 15 litros de água até que ela comece esquentar. Deveria ser proibido estes aquecedores e não ser obrigatório!

Comentário de Márcia - 16/06/2012 at 20:25

Um mundo melhor para todos!!!