06/06/2012

Gêmeas remam 150 km de Angra ao Rio pela proteção dos oceanos



Depois de dois dias no mar, remando 150 quilômetros, as gêmeas Cláudia e Kátia Alencar, 41 anos, chegaram na terça-feira (05/06) à Baía de Guanabara. Ex-atletas da seleção brasileira de remo, as ativistas celebraram o Dia Mundial do Meio Ambiente como as primeiras mulheres brasileiras a fazer a travessia Angra dos Reis-Rio de Janeiro em barco a remo para o mar.

Ao longo do percurso, com apoio de instrutora ambiental, as irmãs coletaram dez amostras de água, entregues para pesquisadores do Laboratório de Instrumentação Eletrônica e Análises Técnicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ. A previsão é que o relatório de qualidade seja divulgado em uma semana. A atividade foi registrada no site do Desafio Mundial do Meio Ambiente, promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Praticante da modalidade há mais de 18 anos, Cláudia avalia que a aventura teve um gostinho especial. “Para a gente que viveu o esporte de uma maneira diferente, nas raias, competindo, enfrentar o mar foi o que a gente precisava para ver que nosso caminho é esse; que a gente pode, sim, usar o esporte para disseminar as mensagens de proteção do meio ambiente e, neste momento, a gente se sente fazendo parte dessa imensidão.”

Kátia conta que aprendeu diversas lições, especialmente no trecho de restinga, onde pegaram ventos de até 50 km/h e tiveram de recorrer ao veleiro de apoio. “Não dá para enfrentar a natureza, agora não é hora, em alguns momentos a gente teve que ceder e vir, ceder e vir, porque faz parte. O importante, o nosso maior desafio não era cruzar em si os 150 quilômetros, era a mensagem. Se a gente realmente não parar pra pensar nas consequências, nas responsabilidades e no compromisso de cada um no planeta, não vai ser real. Não é esperar pelos outros, mas fazer.”

A equipe registrou momentos preciosos como o baile de golfinhos na saída de Angra, mas também muitas garrafas jogadas nas praias e voos de urubus em Sepetiba. As cenas serviram para Cláudia e Kátia pedirem a preservação dos mares, tema que será debatido durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

A travessia “Remar para Preservar: Oceanos sem Resíduos”, iniciada na manhã de domingo com um abraço de canoístas à Ilha de Cataguases, foi também uma aventura virtual. Os detalhes de navegação foram transmitidos via satélite para a internet, por meio de um chip colocado no barco de apoio.

O encerramento marcou ainda a XIII Regata Ecológica da Marinha, na qual universitários e alunos da Escola Naval recolheram, em uma hora, 200 kg de lixo que flutuavam na Baía de Guanabara.