Organização Internacional do Trabalho pede medidas mais duras para combater trabalho escravo

8 de fevereiro de 2013 · Destaque
Tamanho da fonte: Aumentar o tamanho da letraDiminuir o tamanho da letra


Share

Ex-crianças-soldado do Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA, na sigla em inglês), prestes a ser desmobilizados, durante uma visita do Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças e Conflitos Armados, em novembro de 2009. Foto: ONU/Tim McKulka.

Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançado nesta sexta-feira (8) destaca a necessidade de medidas mais severas para lutar contra o trabalho forçado.

O problema atinge 21 milhões de vítimas no mundo: homens, mulheres e crianças obrigados a exercer trabalhos que não podem abandonar, presos na servidão por dívidas, vítimas de tráfico com fins de exploração sexual e até pessoas que nasceram na escravidão.

Os esforços para prevenir, identificar e levar a julgamento os casos de trabalho forçado são com frequência insuficientes, apesar das boas práticas de alguns países, afirma a OIT no documento preparado para a reunião de especialistas sobre trabalho forçado com representações de governos, trabalhadores e empregadores. O encontro será realizado entre 11 e 15 de fevereiro de 2013.

Muitas vítimas de trabalho forçado realizam suas atividades em locais pouco visíveis, como por exemplo em barcos pesqueiros e obras, bem como em fábricas e explorações de agricultura comercial.

“O trabalho forçado inclui trabalhadores que estão nos fornos de olarias, presos em um círculo vicioso de dívidas, crianças vítimas do tráfico com fins de mendicância forçada e trabalhadores domésticos que são enganados sobre suas condições de trabalho”, assinala o relatório.

Em alguns países, servidão por dívidas ainda é comum

A servidão por dívidas, sob a qual os trabalhadores e suas famílias estão obrigados a trabalhar para um empregador a fim de saldar dívidas que contraíram ou herdaram, continua sendo comum em alguns países.

Segundo os autores do relatório, em alguns países ainda existem “vestígios de escravidão”, onde “as condições de escravidão continuam sendo transmitidas através do nascimento a indivíduos que são obrigados a trabalhar para seus patrões sem receber nenhum pagamento”.

Os trabalhadores domésticos – a maioria dos quais são mulheres e crianças – frequentemente são vítimas de práticas abusivas por parte dos empregadores, como a falta de pagamento dos salários, a privação de liberdade e o abuso físico ou sexual. Estas práticas equivalem a trabalho forçado.

Migrantes também estão em risco

O relatório adverte que o tráfico de seres humanos, incluindo crianças, com fins de exploração laboral ou sexual, poderia aumentar no futuro como consequência da crescente mobilidade laboral.

Por outro lado, a imposição sistemática de trabalho forçado por parte do Estado diminuiu em todo o mundo e praticamente desapareceu na grande maioria dos países. O trabalho forçado imposto pelo Estado representa 10% das quase 21 milhões de vítimas de trabalho forçado no mundo, de acordo com números de 2012 da OIT.

Sanções não são suficientemente severas

Ao longo dos últimos anos, a importância das medidas dirigidas a dissuadir os possíveis infratores, fortalecer os mecanismos para garantir o cumprimento efetivo da lei, combater a demanda de trabalho forçado e reduzir a vulnerabilidade das potenciais vítimas do trabalho forçado, recebeu um reconhecimento cada vez maior.

Mas ainda que a maioria dos países tenha adotado uma legislação que penaliza o trabalho forçado, a sanção nem sempre é suficientemente severa para ter um efeito dissuasivo, pois em alguns casos se limita a multas ou a penas de prisão demasiado breves.

A maioria dos países precisa de medidas exaustivas dirigidas a combater a demanda de bens e serviços produzidos a partir do trabalho forçado. No entanto, alguns países deram passos certos para dissuadir os indivíduos e as companhias que exploram trabalhadores em condições próximas à da escravidão.

A identificação das vítimas continua sendo um importante desafio. Alguns países não destinam recursos suficientes para as inspeções laborais, que podem desempenhar uma função fundamental para encontrar as vítimas, bem como para prevenir situações de abuso que podem degenerar em práticas de trabalho forçado.

Em muitos casos, foram adotadas medidas destinadas a reduzir a vulnerabilidade de grupos específicos, como por exemplo os programas de sensibilização dirigidos a trabalhadores que vão para o exterior.

Principais dados do estudo

  • Quase 21 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado: 11,4 milhões de mulheres e meninas e 9,5 milhões de homens e meninos;
  • Os menores de 18 anos representam 26% (5,5 milhões) de todas as vítimas de trabalho forçado;
  • Cerca de 19 milhões de vítimas são exploradas por indivíduos ou empresas privadas e mais de 2 milhões pelo Estado ou grupos rebeldes;
  • Daqueles que são explorados por indivíduos ou empresas, 4,5 milhões são vítimas de exploração sexual forçada;
  • Os que impõem ou promovem o trabalho forçado conseguem enormes ganhos ilegais;
  • O trabalho doméstico, a agricultura, a construção, a indústria e o entretenimento se encontram entre os setores mais afetados;
  • Os trabalhadores migrantes e os povos indígenas são especialmente vulneráveis ao trabalho forçado.

Clique aqui para acessar o estudo (em espanhol).


Comentários

1 comentário para “Organização Internacional do Trabalho pede medidas mais duras para combater trabalho escravo”

Deixe seu comentário










  • Campanha Livres & Iguais -- Por direitos e igualdade LGBT!


    Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014

    Campanha O Valente não é Violento
    Una-se pelo fim da violência contra as mulheres


    Emergência em Gaza

    ONU e o Sudão do Sul

    ONU e a República Centro-Africana (RCA)

    ONU e a Síria




    Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC) para a Europa Ocidental
    Clique aqui para acessar todas as campanhas e atividades da ONU Clique aqui para acessar todas a agenda da ONU e as datas internacionais