ONU destaca aumento do investimento estrangeiro entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

“Monitor de Tendências do Investimento Global” identifica crescente relação entre BRICS – como é conhecido este grupo de países – e África. Brasil expandiu negócios na indústria de etanol em países como Angola, Gana e Moçambique.

Funcionários de uma fábrica gerenciada por chineses em Kampala, Uganda. Foto: Panos/Sven Torfinn

Funcionários de uma fábrica gerenciada por chineses em Kampala, Uganda. Foto: Panos/Sven Torfinn

O volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) que entra e sai das economias emergentes dos BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — está aumentando sua influência global, de acordo “Monitor de Tendências do Investimento Global”.

O relatório, divulgado nesta segunda-feira (25) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), também destaca a crescente relação entre os BRICS e a África.

O estudo mostra que na última década, o IED mais do que triplicou nos BRICS, totalizando 263 bilhão de dólares em 2012. Este valor representa 20% dos fluxos de IED do mundo. Um aumento significativo desde 2000, quando era de apenas 6%.

Enquanto isso, o investimento dos BRICS em outros países subiu de 7 bilhões de dólares em 2000 para 126 bilhões em 2012, passando de 1% para 9%, com a China e a Rússia puxando os números.

No continente africano, os investimentos do bloco representaram 25% dos investimentos estrangeiros em 2012, especialmente nos setores industrial e de serviços. Apesar dos custos de trabalho na África serem próximos aos custos domésticos nos BRICS, a isenção de impostos nos países africanos e as medidas de tarifa zero da China para os países menos desenvolvidos explicam os investimentos.

O Brasil, por exemplo, expandiu seus negócios na nova indústria de etanol africana em países como Angola, Gana e Moçambique. A China é um dos países que investem em países menos desenvolvidos como o Sudão e Zâmbia. Uma empresa indiana adquiriu recentemente uma rede de telefonia móvel africana e os bancos russos estão se expandindo para países como Costa do Marfim e Nigéria.

“O aumento do IED na indústria, que tem consequências positivas para a criação de emprego e crescimento industrial, está se tornando uma faceta importante da cooperação econômica Sul-Sul”, ressalta o relatório, que prevê um aumento dessa tendência no futuro.

No entanto, a principal fatia do investimento externo do BRICS ainda está em economias desenvolvidas, com 34% de suas ações indo para a União Europeia. O relatório observa que esses investimentos são em grande parte impulsionados por motivos de procura de mercado, bem como fusões e aquisições transfronteiras.

O relatório foi publicado as vésperas da quinta Cúpula do BRICS, realizada nesta terça-feira (26) e quarta-feira (27), em Durban, África do Sul, e cujo tema é “BRICS e África: Parceria para o desenvolvimento, integração e industrialização”.


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