No Brasil, 250 pessoas foram assassinadas em ataques homofóbicos ou transfóbicos em 2010, alerta ONU

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A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, divulgou uma mensagem em vídeo esta semana para alertar sobre o aumento dos crimes de ódio contra lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans. No vídeo, ela lembra que, só no Brasil, 250 pessoas foram assassinadas em crimes deste tipo em 2010.

No Brasil, 250 pessoas foram assassinadas em ataques homofóbicos ou transfóbicos em 2010, alerta Alta Comissária de direitos humanos da ONUA Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, divulgou uma mensagem em vídeo esta semana para alertar sobre o aumento dos crimes de ódio contra lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans. Os segmentos são conhecidos em grande parte do mundo pela sigla LGBT.

No vídeo, ela lembra que, só no Brasil, 250 pessoas foram assassinadas em crimes deste tipo em 2010. “Infelizmente, estes não são casos isolados. O problema é global”, lembra Pillay. “A história nos mostra o terrível preço humano da discriminação e do preconceito. Ninguém tem o direito de tratar um grupo de pessoas como sendo de menor valor, menos merecedores ou menos dignos de respeito”, conclui.

Assista abaixo a mensagem da Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos sobre a homofobia e a transfobia em todo o mundo, em vídeo, ou leia a transcrição a seguir:

“Olá, eu sou Navi Pillay e sou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Os crimes de ódio contra lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans estão aumentando.

Aqui em Nova York, apenas nas últimas seis semanas, pelo menos quatro jovens foram brutalmente atacados em diferentes incidentes. Dois deles mais tarde morreram devido aos ferimentos. Em todos os casos, os agressores gritaram insultos homofóbicos enquanto chutavam, batiam ou esfaqueavam suas vítimas.

Estatísticas oficiais mostram que crimes de ódio contra homossexuais agora são quase 20% de todos os crimes de ódio registrados nos Estados Unidos, um aumento de 15% em relação a alguns anos atrás.

No ano passado, no Brasil, 250 pessoas foram assassinadas em ataques homofóbicos ou transfóbicos.

Em Honduras, uma onda de violência recentemente tirou a vida de 34 membros das comunidades gay, lésbica, bissexual e transgênero ao longo de 18 meses.

E na África do Sul, temos assistido ao terrível fenômeno chamado “estupro corretivo”, cometido por homens que estupram lésbicas e em seguida tentam justificar suas ações afirmando estarem apenas tentando “corrigir” a sexualidade de suas vítimas.

Infelizmente, estes não são casos isolados. O problema é global.

Em última análise, a homofobia e a transfobia não são diferentes do sexismo, da misoginia, do racismo ou da xenofobia. Mas enquanto essas últimas formas de preconceito são universalmente condenadas pelos governos, a homofobia e a transfobia são muitas vezes negligenciadas.

A história nos mostra o terrível preço humano da discriminação e do preconceito. Ninguém tem o direito de tratar um grupo de pessoas como sendo de menor valor, menos merecedores ou menos dignos de respeito. Cada um de nós merece os mesmos direitos, o mesmo respeito e tratamento ético, independentemente de nossa orientação sexual ou identidade de gênero.

Alguns argumentam que a “orientação sexual” e a “identidade de gênero” são conceitos de certa maneira novos, fora dos padrões reconhecidos internacionalmente de direitos humanos. Na verdade, a homossexualidade e a transgeneralidade não são nada novos; têm estado presentes em todas as sociedades ao longo da história humana. Arqueólogos encontraram artefatos datados em mais de quatro mil anos retratando relações do mesmo sexo.

Mas sejamos diretos, o princípio de que ninguém deve sofrer discriminação em razão da sua sexualidade ou identidade de gênero já está plenamente integrado em nossos atuais padrões internacionais de direitos humanos. Dezessete anos atrás, o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, cujo trabalho é lembrar aos Estados de tais padrões, confirmou que, nos termos do direito internacional, os Estados têm a obrigação de descriminalizar a homossexualidade e proteger seus indivíduos contra a discriminação com base na sua orientação sexual. Outros órgãos das Nações Unidas dizem o mesmo.

Mas citar a lei àqueles que discordam não é suficiente. Esta é uma questão sensível em muitas sociedades. Aceito que muitas pessoas que se opõem à mudança sejam bem intencionadas, mas peço-lhes que pensem novamente.

Lembro que, quando era criança, havia um estigma terrível contra os canhotos. As crianças canhotas eram punidas e os professores tentavam forçá-las a escrever com a mão direita. Os professores podiam pensar estar fazendo a coisa certa. Mas, com o tempo, aprendemos: as pessoas são diferentes. Algumas são canhotas, a maioria é destra. Isso não importa. O importante é deixá-las florescer.

Não estou comparando o que aconteceu com meus colegas canhotos com o terrível tratamento dado a gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros hoje em alguns países. Não há equivalência. Mas estou dizendo que atitudes mudam. Nesta e em outras áreas, o preconceito e a intolerância não são páreo para a informação e a educação.

Por isso, vamos lembrar uns aos outros o que queremos: direitos iguais para todos, sejam eles quem forem, amem a quem amarem. É uma grande causa dos direitos humanos e uma a qual tenho orgulho de apoiar.

Obrigada.”


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