Fruto da ação humana, mudança de temperatura global pode passar de limite seguro, alerta IPCC

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Estudo científico afirma que ação humana causou mais da metade da elevação média da temperatura entre 1951 e 2010. Neste período, nível dos oceanos aumentou 19 centímetros.

Foto: PNUMA

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O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que conta com apoio da ONU, afirmou que a temperatura da superfície global pode aumentar 1,5°C no fim do século 21 em um cenário mais brando. Em cenários mais preocupantes, poderá elevar 2°C, superando o limite considerado seguro pelos especialistas.

Os dados são do relatório do IPCC intitulado “Mudança Climática 2013: a Base das Ciências Físicas” e lançado nesta sexta-feira (27) em Estocolmo, na Suécia.

“As ondas de calor são muito prováveis de ocorrer com mais frequência e durar mais tempo. À medida que a Terra se aquece, esperamos ver regiões úmidas receberem mais chuvas e regiões secas receberem menos, apesar de exceções”, disse o copresidente do grupo de trabalho responsável pelo documento, Thomas Stocker.

De acordo com o documento, há mais de 95% de probabilidade de que a ação humana causou mais da metade da elevação média da temperatura entre 1951 e 2010. Neste período, o nível dos oceanos aumentou 19 centímetros.

Foram realizadas quatro projeções considerando situações diferentes de emissões de gases-estufa. Em todas, há aumento de temperatura. As mais brandas ficam entre 0,3 ºC e 1,7 ºC. No cenário mais pessimista, o aquecimento ficaria entre 2,6 ºC e 4,8 ºC.

O aquecimento dos oceanos domina o aumento da energia armazenada no sistema climático, representando mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010. Os mares vão continuar aquecendo durante o século 21, e o calor vai penetrar da superfície até as profundezas afetando a circulação oceânica.

O nível médio do mar vai continuar subindo durante este século. Sob todos os cenários a taxa de aumento do nível dos oceanos vai exceder a observada durante o período de 1971 a 2010 por causa do aumento do aquecimento dos oceanos e do aumento da perda de massa das geleiras e camadas de gelo. Até 2100, o nível deve aumentar de 45 a 82 centímetros, no pior cenário, e de 26 a 55 centímetros, no melhor.

O relatório também afirmou que as concentrações de dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso na atmosfera aumentaram em registros sem precedentes nos últimos 800 mil anos.

Concentrações de CO2 têm aumentado em 40% desde os tempos pré-industriais, principalmente pelas emissões de combustíveis fósseis e, secundariamente, pelas emissões referentes à mudança do uso da terra.

O oceano tem absorvido cerca de 30% do dióxido de carbono antropogênico emitido, causando a acidificação dos mares e afetando a vida nesse ambiente.

A versão final do relatório do Grupo de Trabalho I – versão distribuída aos governos em 7 de junho de 2013 –, incluindo o Resumo Técnico, 14 capítulos e um Atlas com projeções climáticas globais e regionais, será lançado em formato não editado na segunda-feira (30).

Após a edição de texto, verificações finais de erros e ajustes para mudanças no Sumário para Formuladores de Políticas, o relatório completo do Grupo de Trabalho I será publicado online em janeiro de 2014 e em forma de livro pela Universidade de Cambridge, alguns meses depois.


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