Crianças refugiadas na Etiópia encontram conforto em escola do ACNUR

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Agência da ONU para refugiados administra a primeira escola no campo de refugiados Tongo, na Etiópia. Metade das crianças ainda não tem acesso a educação.

Desde dezembro de 2011, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) administra a primeira escola para as crianças sudanesas do campo de refugiados de Tongo, Etiópia. Apesar de só metade das quatro mil crianças de 5 a 17 anos que habitam o local terem acesso à educação, a previsão é que novas turmas, que acomodarão mais de 800 crianças, serão criadas em breve.

A grande demanda escolar, juntamente com a escassez de materiais educacionais, fez com que professores decidissem pela divisão dos estudantes em dois turnos de aulas. Mesmo com a partilha de turmas, as salas estão repletas de crianças e jovens que competem entre si para ver quem chega primeiro à sala.

Para o diretor da escola, Mohammed Ashimi, o ensino tem uma grande capacidade em ajudar crianças a lidar com a questão dos refugiados. “Quando uma criança vai para a escola ela consegue lidar melhor com o passado. Quando essas crianças estão fora da escola ou sem fazer nada, elas frequentemente se recordam de tudo que aconteceu em suas vidas”, afirma Ashimi.

Ele ressalta que, nos primeiros dias da escola, era comum encontrar desenhos, feitos com giz, de aviões lançando bombas em vilas, eventos que se tornaram rotineiros durante o conflito no Estado de Nilo Azul. O diretor também observou que em, uma única sala de aula, 40% das crianças tinham um de seus pais desaparecidos e outras 10% não tinham pais.

Desde o começo de setembro do ano passado embates entre o exército sudanês e os rebeldes do estado do Nilo Azul, no Sudão, provocaram a saída de 50 mil civis de suas casas, sendo que mais de 27 mil fugiram para a Etiópia.


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