Com crescimento de 1,6%, produção industrial no Brasil se mantém moderada em 2013, diz ONU

Baixo crescimento das exportações pela redução da demanda dos países industrializados foi um dos fatores prejudiciais. Além disso, setor produtivo enfrentou alta inflação e forte concorrência de produtos importados mais baratos.

5 de Junho de 2013 · Destaque
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Foto: panatomix/Creative Commons

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De acordo com o relatório “Produção Industrial Mundial, Estatísticas para o Primeiro Trimestre 2013”, publicado pela ONU esta semana, a produção industrial brasileira manteve-se moderada no primeiro trimestre de 2013, com aumento de 1,6%. Outras economias emergentes apresentaram resultados moderados, como a Índia, 2,5%, Indonésia, 4,5%, México, 1,1% e Turquia, 4%.

A China foi a que apresentou melhor desempenho, 9,7%, um pouco menor do que os 10% do trimestre anterior, sendo a responsável pelo bom desempenho geral desse grupo de países, que cresceu 6,8% em relação ao mesmo período no ano anterior.

O relatório foi produzido pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) e foi lançado nesta terça-feira (4).

Segundo o estudo, o pior desempenho dessas economias pode ser explicado por fatores internos e externos. O externo foi comum a todas essas nações: baixo crescimento das exportações devido à redução da demanda dos países industrializados.

Porém, os fatores internos diferem de país para país, sendo que no Brasil a fabricação enfrentou a alta inflação e forte concorrência de produtos importados mais baratos, resultando em déficits comerciais elevados, enquanto os produtores de fábricas indianas encontraram frequentes quedas de energia que interromperam a produção regular.

A ONUDI observou que o crescimento em economias emergentes e em desenvolvimento apresentou melhoras em quase todas as indústrias transformadoras, incluindo as de média e alta tecnologia e a de produção de instrumentos médicos e ópticos.

A produção de alimentos e bebidas subiu 7,3%, têxteis em 7,4% e vestuário em 8,9%, em comparação com o mesmo trimestre no ano anterior. A fabricação de artigos de vestuário caiu no Brasil e no Egito, mas aumentou na África do Sul, Índia e Turquia.

Em relação à produção industrial global, o relatório afirmou que houve um ligeiro crescimento no primeiro trimestre de 2013, após uma queda contínua desde o segundo trimestre de 2010. No primeiro trimestre deste ano, o crescimento industrial registrou 1,7% contra 1,3% nos últimos três meses de 2012. Apesar da reversão de uma tendência para a declinação, a perspectiva de recuperação continua frágil para a maioria das economias industrializadas, emergentes e em desenvolvimento devido à recessão na Europa.

Segundo o documento, a base de crescimento atual está limitada somente para os Estados Unidos e China, os principais produtores mundiais. Enquanto o crescimento sustentado das economias industrializadas foi prejudicado pela estagnação na Europa devido às medidas de austeridade, as economias industriais em desenvolvimento e emergentes têm enfrentado declínio na demanda externa devido à prolongada recessão nas economias industrializadas.

Na Europa, as tendências e declínio diminuíram ligeiramente em 2013. No entanto, nenhuma recuperação pode ser prevista devido à nova contração das economias da zona do euro nos últimos meses. As medidas de austeridade implementadas para combater a instabilidade financeira tiveram um impacto negativo sobre a produção e o emprego no setor industrial do velho continente. De acordo com a ONUDI, a necessidade de uma reforma estrutural da economia europeia tem sido enfatizada em relatórios anteriores.

A produção industrial caiu em 1,7% na Alemanha, 4,2% na França 4,5% na Itália, 2,1% no Reino Unido e 3,1% na Rússia. O crescimento positivo na Europa foi mantido por algumas economias menores, incluindo Áustria, Estônia e Dinamarca. O crescimento industrial lento sugere que o grande número de desempregados no continente não será absorvido pela economia no futuro próximo.

Na América do Norte, a produção industrial se manteve em crescimento pelo terceiro ano consecutivo devido ao aumento regular da produção industrial nos Estados Unidos, disse o estudo. A queda dos preços de energia, baixos custos de transporte e medidas políticas dirigidas a reverter a terceirização ajudaram a construir a confiança do consumidor e contribuíram para o crescimento generalizado. Atualmente, os Estados Unidos é responsável pelo maior crescimento industrial entre os países industrializados.

No Leste Asiático, a ONUDI ressaltou que, apesar da notável recuperação comparado aos trimestres anteriores em 2012, a produção industrial caiu no primeiro trimestre de 2013 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Enquanto a Coreia do Sul apresentou forte crescimento de 5,1%, Malásia e Cingapura registraram crescimento insignificante ou negativo.

No Japão a produção industrial caiu no primeiro trimestre, mas mostrou sinais de recuperação, com um crescimento de 2% com base na comparação de trimestre para trimestre. A queda na taxa de câmbio do iene japonês contra outras moedas deverá reduzir o preço dos produtos japoneses no exterior, o que pode aumentar suas exportações.

Acesse o documento na íntegra (em inglês) clicando aqui.


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