Ataques obrigam suspensão temporária de operações humanitárias não essenciais no Quênia

Uma pessoa morreu e 23 ficaram feridas em 24 de outubro, quando duas granadas explodiram em Nairóbi, capital do Quênia. O governo do país suspeita que os responsáveis sejam extremistas somalis do grupo islâmico Al-Shabaab.

Operações humanitárias não essenciais estão temporariamente suspensas no campo de refugiados de Dadaab desde 13 de outubro, quando três funcionárias do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) foram sequestradas.

A incursão militar na Somália obrigou a redução da presença humanitária também nas regiões de Gedo, Baixa e Central Juba, afetando a distribuição de ajuda para centenas de milhares de pessoas.

A dificuldade de acesso às regiões mais isoladas aumentou também por causa das inundações. Na Etiópia, os níveis dos rios estão subindo e já causaram algumas enchentes. A chuva, porém, tem possibilitado a agricultores do Sudoeste a retomada das atividades. Já no Quênia, apesar de as fontes de água terem recuperado entre 20% e 40% de suas capacidades, ainda não é possível notar diferença nos pastos.

Na Somália, a precipitação piorou as condições sanitárias dos campos de deslocados em Mogadíscio, aumentando o risco de doenças.

Financimento da ajuda humanitária ainda é insuficiente

O apelo financeiro consolidado somente para a Somália foi reduzido em 27 de setembro de 1,06 bilhão de dólares para 983,9 milhões – por causa da diminuição da necessidade de alimentos -, dos quais 787,6 milhões foram recebidos (80%).

Até a mesma data, doadores haviam comprometido 503,4 milhões de dólares em ajuda ao Quênia, o que equivale a 68% dos 741 milhões solicitados. Já dos 644,4 milhões de dólares necessários para atendimento humanitário emergencial na Etiópia, 409,8 milhões estavam empenhados (63%). O déficit para prover assistência ao Chifre da África ainda é de 592,9 milhões de dólares.

Resposta emergencial alcança mais de 8 milhões de desnutridos

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) distribuiu rações prontas para consumo para mais de oito milhões de pessoas no Chifre da África desde o início de julho. Foram 2,2 milhões de desnutridos só na Somália. Intervenções incluem alimentos prontos para consumo, vales para que famílias retirem alimentos em mercados, refeições diárias e nutrição especial para crianças com menos de cinco anos – mais de 348,3 delas foram admitidas em centros de estabilização para tratamento de desnutrição moderada e severa.

Na Etiópia, a distribuição de alimentos começou pelos refugiados transferidos do abarrotado centro de transição de Dollo Ado para o novo campo em Hilaweyn, aberto em 5 de agosto, que deve receber 15 mil abrigados até o fim do mês. O ACNUR preparou a área depois que os campos de Bokolomanyo, Melkadida e Kobe atingiram ou ultrapassaram a capacidade máxima.

O PMA iniciou, em 9 de agosto, o envio de 800 toneladas de biscoitos altamente energéticos para Mombasa, no Quênia. Serão nove voos de suprimentos suficientes para alimentar 1,6 milhão de pessoas durante um dia. No dia anterior, um avião com 47 toneladas de sopa rica em nutrientes pousou na capital, Nairobi. O voo que partiu de Liege, na Bélgica, com suprimentos suficientes para atender a 16,5 mil crianças por um mês foi patrocinado pela companhia de remessas internacionais e entregas rápidas TNT.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) enviou cerca de 900 toneladas de alimentos para ajudar aproximadamente 38,5 mil crianças em Bakool do Sul e Baixa Shabelle, além de 84 toneladas para atender 29,4 mil crianças em Mogadíscio. Já o ACNUR está distribuindo pacotes de ajuda a 189 mil pessoas na região.

UNICEF e CARE estão instalando pontos de água estratégicos ao longo dos 100 km de estrada desde a fronteira da Somália até Dadaab, no norte do Quênia, por onde caminham os deslocados.

O ACNUR enviou para Mogadíscio 31 toneladas de material suficiente para montar abrigo para 180 mil pessoas. Foram três carregamentos entre os dias 8 e 14 de agosto. A agência não fretava voos para a capital somali há cinco anos.