ACNUR intensifica ajuda humanitária no interior da Somália

Notícias · 19 de julho de 2011

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Uma família com 18 pessoas chega em Galkayo, após fugir da seca em Buale, no centro sul da Somália. Levaram seis dias de viagem em ônibus.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) está intensificando a ajuda humanitária emergencial no sul e oeste da Somália, enquanto monitora o deslocamento de pessoas para países vizinhos em busca de assistência.

Trabalhando com parceiros locais, o ACNUR distribuiu kits humanitários para 90 mil pessoas em Mogadíscio, Belet Hawa e Dobley, no noroeste da Somália. Os kits continham lonas plásticas, cobertores, utensílios de cozinha e galões de água, entre outros artigos.

A partir de terça-feira, outros kits serão distribuídos para mais de 125 mil pessoas em outras localidades das regiões de Gedo e Lower Juba. A assistência também será entregue em Mogadishu, no Corredor de Afgooye e em Baixa Shabelle, no sudeste do país.

Vinte anos de conflito trouxeram caos e anarquia para várias regiões da Somália, especialmente nas áreas centro-sul.

“Atualmente, a situação para os trabalhadores humanitários na Somália está longe do ideal”, disse o Porta-Voz do ACNUR, Adrian Edwards, em uma coletiva de imprensa em Genebra nesta terça (19/07). “Precisamos ter maior acesso e garantias de que o caráter humanitário do nosso trabalho seja respeitado”.

As negociações acerca do acesso humanitário ao país estão sendo conduzidas coletivamente pela ONU, disse Raouf Mazou, Vice-Diretor da Divisão do ACNUR para o Leste e o Chifre da África, Chade e Sudão. “Algumas garantias foram dadas, mas precisam ser testadas”.

A violência crônica, associada a desastres naturais e ondas de secas, deslocou mais de um quarto da população somali de 7.5 milhões. Neste ano, mais de 160 mil somalis fugiram para países vizinhos, como Djibuti, Etiópia e Quênia, enquanto cerca de 1,5 milhão de pessoas se deslocaram internamente.

Tukaay Siyaadow Isaak, de 47 anos e mãe de oito filhos, fugiu de Baidoia, no centro da Somália, e viajou por 20 dias até chegar a Galkayo, mais ao norte. A família se estabeleceu no campo de deslocados internos de Bulo Kontrol.

“Decidimos partir quando todos nossos animais morreram com a seca. Viemos para cá porque precisávamos sobreviver. A jornada foi longa e terrível. Tivemos que depender da boa vontade das pessoas para sobreviver”, disse. “Alguns foram para Dadaab [Quênia] enquanto outros foram para outros locais na Somália. Escolhi vir para cá porque Dadaab não fica no meu país. Mesmo assim, eu não conheço ninguém aqui. Estou totalmente perdida. Não sei o que irá acontecer.”

Somalis que cruzaram para países vizinhos estão sendo acomodados em campos de refugiados superlotados.

O Dr. Paul Spiegel, que coordena o departamento de Saúde Pública e HIV do ACNUR, esteve recentemente na área fronteiriça de Dolo Ado na Etiópia. Ele disse aos jornalistas baseados em Genebra, que os recém chegados ao campo de Kobe estão em péssimo estado. “Em junho, a taxa de mortalidade diária no campo era de 7.4 a cada 10 mil pessoas – 15 vezes a taxa normal da África Subsaariana.” Mais da metade da população do campo sofre de desnutrição aguda.

Ele disse ainda que as condições de saúde melhoraram durante o mês de julho, “provavelmente devido ao fato de que os refugiados não estão esperando a situação ficar crítica para deixar seus locais de origem”, e ao foco nos tratamentos de crianças com menos de cinco anos que se encontram gravemente desnutridas. Outros desafios na área de Dolo Ado, incluem uma severa escassez de água e latrinas para a maior parte dos refugiados recém-chegados.

Enquanto isso, o ACNUR está fortalecendo seus mecanismos de monitoramento dos movimentos populacionais e de proteção nas rotas que levam aos campos de refugiados de Dolo Ado e Dadaab, na Etiópia e no Quênia respectivamente. Espera-se que relatórios regulares permitam ao ACNUR e outras agências humanitárias informar a necessidade de intervenções humanitárias.

“Considerando o grave estado de saúde de vários refugiados que chegam aos campos, o ACNUR acredita ser fundamental que as pessoas na Somália consigam encontrar ajuda no lugar onde estão”, disse Edwards. “Pode ser que isso contribua para diminuir a necessidade de deslocamento para países vizinhos, onde os campos de refugiados já estão abarrotados. Continuamos buscando todas as formas de intensificar nosso trabalho no interior da Somália”.

Comentários
Comment from raquel - 20 de setembro de 2011 at 19:17

como podemos viver tranquilamente sabendo que eles sofrendo como podemos;viver;como;o meu maior desejo e ajuda-lhos as gerras civis tem contriduido com a destruiçao q temos visto crianças sao mais q mais sofre voce sente nos olhos sera q Deus ;esqueceu de todos. e os gorvermantes so olham pra si