‘Ativista pacifista’ de 10 anos quer ajudar ONU em causas humanitárias e desenvolvimento sustentável

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Aluna de escola pública de Valinhos (SP), Ingrid Soto compõe músicas para promover paz e participa da Rio+20 pelo site da conversa global ‘O Futuro que Nós Queremos’.

Uma “pequena ativista pacifista”. Foi assim que Ingrid Soto, de 10 anos, apresentou-se por e-mail ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) querendo atuar em causas humanitárias. Ela diz que “o mundo está em guerra social e psicológica” e precisa “se unir pela paz”.

Filha de uma técnica em segurança do trabalho e de um motorista de caminhão, a estudante de escola pública de Valinhos (SP) toca violão, teclado e está aprendendo violino. Seu sonho é ser cantora e os planos para a vida de artista estão traçados: vai doar parte do dinheiro para “ajudar hospitais [brasileiros] e crianças do Congo”.

Só sobre paz já compôs cinco músicas – letra e harmonia – em três idiomas. Isso porque faz kumon de inglês e aprende espanhol com a mãe, Carolina, brasileira-chilena.

Inspiração vem de ícones da música e da literatura

Entre os artistas que a inspiram estão Heitor Villa-Lobos, Vinícius de Moraes e Renato Russo. Do ex-líder do Legião Urbana sua canção predileta é Que País é Esse?. Mas a lista de preferências ainda tem espaço para Azul da Cor do Mar (Tim Maia), Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu) e Aquarela do Brasil (Ary Barroso).

É fã do inglês Peter Gabriel. “A música dele que eu mais gosto é Biko. Conhece? Sobre um ativista que morreu por causa de racismo”, explica. “Meus pais me levaram ao [festival] SWU. Eu não pude entrar porque só tinha 9 anos, mas ouvi do lado de fora e gostei muito quando ele [Peter Gabriel] disse que não pode ter criança-soldado”, relata.

Amante dos livros, a obra que mais lhe chama atenção é Odisseia [de Homero, também disponível em versão infantil] por mostrar que “sempre precisamos um do outro”. “Gosto muito quando a mitologia explica as coisas boas com várias situações do dia a dia”, justifica. E se identifica com a protagonista do A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga.

No cinema, diverte-se com a animação Procurando Nemo. “Tem um peixe que é igual ao meu pai, esquece de tudo; e pergunta a mesma coisa um monte de vezes, como a minha irmã [Anabell, de 5 anos, que Ingrid espera que vire sua empresária].”

Internet deixa o ‘mundo pequeno’

Altamente ligada em tecnologia, a estudante considera que, diante do computador, “o mundo fica pequeno”. Pela Internet, acompanha as atividades do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em todo o mundo e visita semanalmente a sede das Nações Unidas.

“Acho linda a escultura que está na frente da ONU, nos Estados Unidos, pois é uma escultura simples e muito inteligente, onde qualquer pessoa entende o significado da obra”, avalia. Ingrid refere-se à peça “Não Violência”, do sueco Carl Fredrik Reuterswärd.

Nas horas vagas, produz programas de TV e rádio com o celular, que leva para a escola para apresentar aos amigos. “Fala de cultura e meio ambiente”, conta Ingrid, que representa todos os personagens com caracterizações de roupa e voz. Rainbow [arco-íris], Professora Folha, Senhorita Flower [flor] e o Ar se revezam num roteiro que inclui até promoções.

“Perguntei ‘o que você vai fazer pelo meio ambiente?’ A melhor resposta ganha uma viagem ao Monte Everest, patrocinada pelo Google Maps. Você vai congelar de emoção!”, ri.

Sustentabilidade também é assunto para criança

Ingrid acompanha as discussões sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e se empolgou com a campanha da ‘Eu sou Nós’, lançada dia 14 de maio pela ONU e o Comitê Nacional Organizador.

A pequena já mandou duas contribuições para o site ofuturoquenosqueremos.org.br: um poema e um vídeo.

O primeiro fala de esperança e o segundo explica que essa será a conferência mais importante da história. Como participante da maior conversa global sobre o futuro, Ingrid divulga seu endereço no Twitter e se coloca à disposição para tirar dúvidas sobre o evento.

Durante entrevista concedida por telefone, o UNIC Rio perguntou se Ingrid estava preparada para a fama. Tranquila, respondeu sem hesitar: “Estou. Já saí no jornal de Valinhos.”


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